sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Espírito Legionario por Julius Evola


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É inútil termos ilusões perante a quimera de qualquer otimismo: nos nossos dias encontramo-nos no final de um ciclo. Com o transcurso de séculos, primeiro imperceptivelmente, depois como o movimento de uma massa que cai a prumo, múltiplos processos destruíram no Ocidente todo o ordenamento normal e legítimo dos homens, inclusivamente falsificaram a mais alta concepção de viver, da ação, do conhecimento e do combate. E o movimento desta queda, a sua velocidade, o seu vértice, foi chamado «progresso».
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"A única coisa que conta é isto: hoje encontramo-nos no meio de um mundo em ruínas. E o problema é este: existem ainda homens em pé no meio destas ruínas? E que coisas devem ou podem ainda fazer? Qual deve ser a sua orientação?"
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"No sentido espiritual, existe efetivamente algo que pode servir como orientação para as nossas forças de resistência e de revolta: este algo é o espírito legionário. É a atitude de quem sabe escolher o caminho mais duro, de quem sabe combater ainda sabendo que a batalha está materialmente perdida, de quem sabe reviver e revalidar as palavras da antiga saga: «A fidelidade é mais forte do que o fogo»."
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"O princípio desta queda reside no fato do homem ocidental ter rompido os vínculos com a tradição, desconhecer cada símbolo superior da autoridade e da soberania, reivindicar para si mesmo, como indivíduo, uma liberdade vã e ilusória, convertendo-se num átomo em vez de parte integrante da unidade orgânica e hierárquica de um todo. O átomo, finalmente, tinha que chocar contra a massa dos outros átomos, dos demais indivíduos e ser envolvido no meio da emergência do reino da quantidade, do puro número, da massa materializada, não tendo outro Deus senão a economia soberana."
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Os que assumirem o «espírito legionário» são homens em pé-de-guerra; gentes que exprimem um profundo mal-estar quando contemplam a realidade que os rodeia e que não têm a mínima intenção de se unirem à presente onda de conformismo. Não é de estranhar pois que, no seu comportamento quotidiano, assumam um estilo diferente. Esse estilo confirma um tipo humano distinto.

2 comentários:

Poetas Insanos disse...

O ser humano acreditando estar individualmente vivendo...
Há frases em seu texto de extrema importãncia mas pouco assimilada atualmente ''A fidelidade é mais forte do que o fogo'' Honra, dignidade, conduta, fidelidade... Essas palavras, em sua essência de atos e atitudes, vem sendo tratadas como um mito, de um tempo medieval vista apenas nos filmes épicos. Parabéns pelo contexto em um todo.
E obrigado pelo comentário que deixaste no texto ''O fim ou o início''. Muito bem pensado e interpretado os fatos, ao que tem uma posição através do que interpreta e se resume de um todo e não de uma notícia sensacionalista pelos meios de comunicação. Um abraço!

NicolaDaemon disse...

eu que agradeço sua presença nos comments, abraços..valeu mesmo.